Agronegócio brasileiro supera US$ 1,2 trilhão em exportações na última década e consolida papel estratégico

Entre 2016 e 2025, setor exportou 2,17 bilhões de toneladas e faturou mais de US$ 1,24 trilhão, com protagonismo da soja e das proteínas animais.

Trator pulverizando plantação | Foto: Vecteezy

Levantamento com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostra que o agronegócio brasileiro ultrapassou a marca de US$ 1,24 trilhão em exportações entre 2016 e 2025, com 2,17 bilhões de toneladas de produtos enviados ao exterior. É o maior resultado da história para o setor, que se afirma como pilar da balança comercial e peça-chave no abastecimento global de alimentos.

No período analisado, o faturamento anual passou de cerca de US$ 84,9 bilhões em 2016 para US$ 166,4 bilhões em 2023, impulsionado pela valorização das commodities e pelo aumento da produtividade no campo. O chamado “complexo soja” (grão, farelo e óleo) foi o grande protagonista, respondendo por aproximadamente US$ 446,3 bilhões do total exportado, mais de um terço da receita. Em seguida aparecem as proteínas animais (carnes bovina, suína e de frango), com cerca de US$ 202,1 bilhões, além dos produtos florestais (US$ 137,2 bilhões) e do setor sucroalcooleiro (US$ 121,1 bilhões).

O desempenho consolidou o Brasil como uma potência agroexportadora que já não é vista apenas como “celeiro do mundo”, mas também como referência em tecnologia, manejo e eficiência logística, apesar dos gargalos ainda presentes em rodovias e portos. Em 2025, o país escoou mais de 252 milhões de toneladas, mantendo padrão de qualidade mesmo em meio a desafios de infraestrutura.

Economistas e analistas, porém, chamam atenção para dois pontos centrais na próxima década: a necessidade de agregar valor à produção, exportando mais alimentos processados e menos produtos primários, e a pressão global por sustentabilidade, rastreabilidade e redução de desmatamento.

Relatórios de entidades ambientais têm criticado o avanço de fronteiras agropecuárias sobre biomas sensíveis, como Amazônia e Cerrado, o que já motivou barreiras comerciais, ameaças de boicotes e exigências adicionais de certificação ambiental por parte de parceiros como União Europeia e Reino Unido.

Para especialistas, o desafio é transformar o “super trunfo” do agro em vantagem competitiva de longo prazo. Isso passa por investir em infraestrutura verde (ferrovias, hidrovias e portos mais eficientes); ampliar práticas de baixa emissão de carbono e recuperação de pastagens degradadas; e fortalecer a diplomacia comercial, antecipando normas ambientais e padrões de consumo nos principais mercados.

Em resumo, o agronegócio inicia 2026 com números robustos, mas sob o olhar atento de consumidores e governos estrangeiros. A forma como o país conciliará crescimento econômico e proteção ambiental será determinante para manter ou ampliar a liderança conquistada nos últimos dez anos.

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