Agronegócio profissionaliza contratos para enfrentar clima extremo, volatilidade de preços e pressão ambiental

De barter a contratos futuros, setor reforça instrumentos jurídicos e financeiros para dar previsibilidade à renda do produtor em um ambiente de riscos crescentes e novas exigências de mercado.

Agronegócio | Foto: Gazeta do Povo

O agronegócio brasileiro vive um momento em que o contrato passou a ser tão estratégico quanto o maquinário no campo. Em meio a eventos climáticos extremos, flutuações acentuadas de preços internacionais e crescente pressão regulatória – especialmente de mercados como União Europeia e Ásia – produtores, cooperativas e tradings têm recorrido com mais intensidade a instrumentos contratuais sofisticados para gerir riscos e garantir previsibilidade de receita.

Contratos de barter, que trocam parte da produção futura por insumos; contratos futuros, usados para travar preços; opções de compra e venda, que funcionam como “seguros” contra oscilações; e acordos de fornecimento de longo prazo com frigoríficos e exportadores, atrelados a indicadores de mercado, tornaram-se rotina tanto para grandes grupos quanto para médios produtores mais organizados.

No pano de fundo, o Plano Safra 2025/2026, com volume recorde de recursos e linhas específicas atreladas a práticas sustentáveis, também influencia a formatação desses instrumentos. Governos e bancos públicos estimulam, por exemplo, financiamentos vinculados a recuperação de pastagens, adoção de tecnologias de precisão e adequação a exigências ambientais, o que demanda cláusulas contratuais claras sobre metas e critérios de desempenho.

Especialistas em direito agrário e empresarial alertam que, quanto mais complexo o cenário – com risco climático, cambial e regulatório –, maior a necessidade de contratos bem redigidos, com definição objetiva de responsabilidades, prazos, indicadores de qualidade e mecanismos de resolução de conflitos. Cláusulas de “força maior” e de “hardship”, que tratam de eventos imprevisíveis e onerosidade excessiva, começam a aparecer com mais frequência em negociações relevantes.

Para o produtor, isso significa que a gestão jurídica do negócio deixou de ser acessória. Ter assessoria especializada, conhecer os impactos de cada modalidade de contrato sobre fluxo de caixa e tributação, e entender o nível de risco assumido em cada operação é hoje tão importante quanto escolher a cultivar certa ou aplicar corretamente o defensivo. Em um agronegócio que se projeta como “motor” da economia brasileira, a sofisticação contratual é parte do pacote que separa a gestão profissional da mera aposta na sorte do clima e das cotações.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *