Corrida pela Mesa da Câmara de Goiânia acelera, e Bessa entra no radar de Mabel para a presidência

Movimentação para antecipar o debate da Mesa Diretora pressiona o Paço Municipal. Nomes de Ronilson Reis, Henrique Alves, Tialu Guiotti e Geverson Abel também aparecem na disputa.

Sandro Mabel e Wellington Bessa | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

O tabuleiro da sucessão da presidência da Câmara Municipal já está armado, mesmo com o calendário formal ainda em disputa e cercado por leituras jurídicas sobre o melhor momento de realizar a eleição da Mesa Diretora. Em 2025, o tema chegou a ser tensionado quando o vereador Ronilson Reis (Solidariedade) tentou articular a antecipação do pleito no começo do ano, iniciativa que acabou desmobilizada pela presidência da Casa.

Agora, a avaliação recorrente nos bastidores é que a movimentação de final de ano de Ronilson, ao se colocar mais cedo no debate e estimular conversas sobre a sucessão, obrigou o Paço Municipal a organizar uma estratégia para não ser espectador de uma disputa que pode impactar diretamente a governabilidade, especialmente na tramitação de projetos sensíveis do Executivo. Esse ambiente ficou ainda mais evidente após reportagens apontarem uma divisão política interna, com dois campos de força orbitando o atual presidente, Romário Policarpo (PSD), e o grupo articulado por Ronilson. No entanto, o próprio Ronilson contestou publicamente essa versão em conversa com o Jornal Opção.

O pano de fundo: base instável e liderança do governo como “pivô”

O ponto central dessa equação é Wellington Bessa (DC). Ele foi anunciado em setembro de 2025 como líder do governo do prefeito Sandro Mabel na Câmara, com a missão explícita de reorganizar a base e reduzir ruídos na tramitação de projetos. Ao assumir, Bessa declarou que a prioridade seria diálogo e reconstrução de alinhamento, mais do que “votar a qualquer custo” medidas do Executivo.

Na prática, a liderança do governo passou a ser tratada como peça estrutural: houve debate sobre reforço de vice-lideranças e desenho de atuação em comissões estratégicas, justamente para garantir capacidade de articulação em um plenário que, ao longo de 2025, registrou atritos com a Prefeitura em temas de alto desgaste político.

Os nomes do “grupo Policarpo” e o fator 2026

A sucessão da presidência também conversa com as eleições de 2026. Romário Policarpo, hoje no comando da Casa, é apontado como nome em preparação para disputar vaga na Assembleia Legislativa, inclusive com mudança partidária em curso no xadrez local, negociando com o Avante.

Nesse cenário, crescem as citações a Henrique Alves (MDB) e Tialu Guiotti (Avante) como nomes alinhados a Romário na briga pela presidência, com outros vereadores também aparecendo como possíveis interessados, como o nome de Geverson Abel (Republicanos), que já foi ventilado na legislatura anterior para a presidência ou vice-presidência da Casa.

Por que Bessa entra no radar do Paço

É aqui que o nome de Wellington Bessa passa a ser tratado como alternativa “de controle político” do Executivo, no sentido de previsibilidade e condução da pauta. A lógica é simples: sendo líder do governo, Bessa já ocupa a posição de interlocução diária com bancadas, comissões e presidência, e tende a ser visto como alguém capaz de reduzir o custo político da tramitação de projetos.

Há ainda um componente eleitoral relevante: Bessa aparece listado como pré-candidato a deputado estadual em 2026 em levantamento que reúne vereadores cotados para a Alego. Se a disputa pela presidência ganhar musculatura real, o caminho natural seria avaliar uma troca de rota, recuando (total ou parcialmente) do plano estadual para disputar o comando da Câmara, um posto que, em Goiânia, tem peso político e institucional elevado.

O movimento do Paço e a leitura de “governabilidade”

A leitura que circula no entorno do prefeito Sandro Mabel (União) é que a Prefeitura não quer repetir um cenário de instabilidade: a eleição da Mesa Diretora, quando antecipada no debate público, vira também uma “prévia” de forças para 2026 e pode contaminar votações do Executivo no curto prazo. Nessa chave, uma presidência alinhada ao Paço seria uma forma de reduzir incertezas, sobretudo em matérias de impacto fiscal, administrativo ou com alto potencial de desgaste.

Nos bastidores é dito que Bessa conseguiu a “simpatia” de Mabel e que seu espaço na Prefeitura tem crescido, inclusive com várias indicações em cargos comissionados.

Do outro lado, há um alerta recorrente no meio político: tentativas de “imposição” de nome pela Prefeitura costumam gerar resistência, porque a eleição da Mesa é, por natureza, um processo corporativo do Legislativo, com negociação voto a voto. A consequência típica, quando a articulação é mal calibrada, é o oposto do desejado: racha de base e paralisia.

Calendário: quando a eleição deve ocorrer

Embora haja referências diferentes sobre o timing ideal, o ponto comum nas publicações é que o pleito é tratado como assunto de 2026, dentro de uma janela que evite questionamentos jurídicos e respeite entendimentos já consolidados pelo STF sobre marco temporal e limites para eleições antecipadas de mesas diretoras.

Em resumo: Ronilson acelerou o debate e pressionou o sistema político da Câmara. Policarpo, olhando para 2026, tende a influenciar a construção do sucessor. Henrique Alves e Tialu Guiotti seguem como nomes vivos na disputa, mas o fortalecimento de Wellington Bessa junto ao Paço, por ser líder do governo e peça de articulação direta com o prefeito, faz dele um nome que pode crescer como “plano de governabilidade” de Sandro Mabel, inclusive com a possibilidade de revisar sua própria estratégia eleitoral para a Alego.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *