O PSDB ingressou na Justiça Eleitoral com pedido de perda de mandato da vereadora Aava Santiago (Goiânia), sob a alegação de desfiliação partidária sem justa causa — tese conhecida no meio jurídico-eleitoral como infidelidade partidária. Em manifestações públicas recentes, lideranças tucanas sustentaram que não houve carta de anuência (documento pelo qual o partido autoriza a saída sem pleitear a vaga) e que, por isso, a legenda pode reivindicar o mandato no Tribunal Regional Eleitoral.
A discussão ganhou força após a filiação de Aava ao PSB, em ato que foi divulgado por canais institucionais e repercutiu na política goiana. Publicação da Câmara Municipal relata que a filiação foi feita pelo presidente nacional do PSB, João Campos, e descreve a mudança como reposicionamento do projeto político para 2026.
O que diz o PSDB
O presidente em exercício do PSDB em Goiás, deputado estadual Gustavo Sebba, defendeu que o partido busque a Justiça Eleitoral para requerer o mandato, argumentando que “não existe carta de anuência” e que, no sistema proporcional, o mandato é do partido.
O que diz Aava
Em nota enviada pela assessoria, a vereadora afirma que tomou conhecimento do caso exclusivamente pela imprensa, que não recebeu citação formal e que ainda não teve acesso ao teor da ação. A nota também relata que, desde outubro de 2025, vinha tratando do tema com Marconi Perillo, mencionando conversas e um suposto encaminhamento político em nível nacional envolvendo interlocução entre lideranças partidárias.
Nos bastidores, há ainda a versão de que o caso teria causado surpresa em dirigentes nacionais do PSB e que, se houver avanço, a legenda pretende reagir politicamente.
O que disse o secretário do PSDB
Em entrevista, no começo do ano, ao Programa Ponto de Vista (podcast do Grupo Ponto de Vista), o secretário do PSDB em Goiás, Itamar Leão, disse que foi lamentável a saída de Aava Santiago e que desejava sucesso para ela.
Itamar também disse que a vereadora seria a puxadora de votos da chapa. Perguntado sobre como que o PSDB enxergava a saída de Aava, o secretário disse: “nós achamos muito ruim. Era a nossa puxadora de votos. Com certeza ela iria tirar seus 200 mil votos e iria dar mais uma cadeira pra gente.”
Como funciona a ação por infidelidade partidária
Pela regra aplicada na Justiça Eleitoral, o partido pode pedir a decretação da perda do cargo eletivo quando há desfiliação sem justa causa; nos casos de vereador, a competência é do TRE do estado. O próprio TSE explica que a controvérsia gira em torno de justa causa, com hipóteses como mudança substancial do programa, grave discriminação política pessoal e a janela partidária (quando aplicável), além de situações analisadas caso a caso, e frequentemente discutidas com base em documentos como carta de anuência.
Marconi e o “vai ou não vai”
Em meio à repercussão, reportagem apontou que haveria expectativa de iniciativa judicial relacionada ao tema, mas registrou que a assessoria jurídica de Marconi negou a informação naquele momento.
Próximos passos
A vereadora afirma que a estratégia jurídica será adotada após notificação formal e que a condução técnica deve ficar com o advogado Leonardo Felipe. Já do lado do PSDB, a linha pública tem sido a de sustentar que a saída ocorreu fora das hipóteses que preservariam o mandato.
O Ponto de Vista News seguirá acompanhando o andamento processual no TRE e eventuais manifestações oficiais das direções nacionais e estaduais das legendas envolvidas.
Leia a íntegra da nota enviada pela assessoria da vereador Aava Santiago:
“NOTA À IMPRENSA
A vereadora Aava Santiago, por meio de sua assessoria de imprensa, informa que tomou conhecimento, exclusivamente pela imprensa, de que o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) ingressou com ação envolvendo seu mandato. A parlamentar esclarece que, até o presente momento, não recebeu qualquer citação formal, não teve acesso ao teor da ação e não foi oficialmente comunicada sobre o referido processo.
A situação causa surpresa à vereadora, tanto pelos 20 anos em que foi filiada à legenda quanto pelo fato de que, desde outubro de 2025, vinha mantendo conversas diretas sobre o tema com o presidente licenciado do PSDB em Goiás, Marconi Perillo. Ao longo desse período, ambos dialogaram por chamadas de vídeo e também presencialmente, tratando e alinhando os desdobramentos políticos relacionados ao seu vínculo partidário.
No dia 9 de fevereiro de 2026, em reunião presencial no escritório político de Marconi, Aava foi informada de que o assunto havia sido tratado por ele com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. Segundo lhe foi relatado, Marconi sinalizou que a construção de uma carta de anuência seria necessária para viabilizar a liberação da vereadora, considerando um mapa de acertos políticos estabelecido nacionalmente entre as legendas. Esse entendimento envolveria o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, e o Partido Socialista Brasileiro (PSB), em diálogo direto entre Aécio e Geraldo Alckmin.
De acordo com a vereadora, essa informação foi confirmada no dia 10 de fevereiro pelo próprio vice-presidente, o que reforçou a compreensão de que havia um encaminhamento político pactuado. Por essa razão, Aava manifesta surpresa diante dos atuais desdobramentos.
A vereadora afirma que sempre foi dedicada ao partido e ao vínculo construído ao longo dessas duas décadas. Aava reafirma sua tranquilidade diante dos desdobramentos jurídicos e destaca que sua principal dedicação é ao município de Goiânia. Ressalta que seu mandato existe para servir à população da cidade que a tornou a mulher mais votada de sua história e que continuará exercendo, de forma diuturna, um trabalho sério, responsável, reconhecido nas urnas e comprometido com os interesses da capital. É nesse foco que permanecerá.
Aava Santiago Aguiar – Vereadora por Goiânia”
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