PSDB municipal rebate Aava, nega acordo para saída e rejeita narrativa de gênero

Matheus Ribeiro, presidente da sigla, afirma que vereadora deixou o partido sem carta de anuência; PSDB Mulher Goiás diz que caso deve ser tratado como cumprimento da lei.

Matheus Ribeiro | Foto: Captura de tela vídeo Instagram

A resposta do PSDB à reação de Aava Santiago veio em duas frentes no dia 10 de março: um vídeo do presidente do diretório municipal em Goiânia, Matheus Ribeiro, e uma publicação vinculada ao PSDB Mulher Goiás, presidido por Rebeca Romero. Nas duas manifestações, o partido buscou desmontar a versão apresentada pela vereadora e recolocar o caso no campo da fidelidade partidária.

No vídeo, Matheus Ribeiro afirmou que Aava “está mentindo publicamente” e negou que tenha havido qualquer diálogo institucional com o PSDB Goiânia ou com a direção estadual para tratar da desfiliação. Segundo ele, a vereadora nunca pediu carta de anuência e formalizou por conta própria a filiação ao PSB em 10 de fevereiro. Para sustentar a tese, o dirigente tucano resgatou entrevista dada por Aava em 18 de dezembro de 2025, quando ela própria reconheceu que vereadores não teriam janela partidária nesta eleição.

Matheus admite que Aava tratou do assunto com Marconi Perillo, mas afirma que isso não significou aval partidário nem garantia de que o PSDB abriria mão do mandato. Em um dos trechos mais duros da resposta, classificou como “conversas de cafezinho” tratativas que não teriam sido formalizadas nem poderiam ser comprovadas. Também afirmou que a saída da vereadora atendeu a um “projeto pessoal” e citou resolução interna do partido, de 2024, para argumentar que não haveria liberação de filiados que receberam recursos públicos para campanha fora da janela.

Na segunda frente, a presidente do PSDB Mulher Goiás, Rebeca Romero, publicou posicionamento afirmando que “transformar o cumprimento da lei em uma discussão sobre gênero não ajuda o debate público”. A manifestação, repercutida em publicação e vídeo associados ao PSDB Mulher, buscou neutralizar a principal linha política adotada por Aava ao reagir à ação judicial.

Com isso, o PSDB tenta firmar duas teses simultâneas: a primeira, de que não houve autorização formal para a saída de Aava; a segunda, de que a reação da vereadora tenta revestir de violência política de gênero uma controvérsia que, na visão tucana, é exclusivamente jurídica. Procurada após a manifestação de Matheus Ribeiro, Aava informou, por nota, que passaria a responder às acusações apenas no âmbito da Justiça.

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