Tegucigalpa (HN) – O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) de Honduras proclamou o conservador Nasry Juan “Tito” Asfura, do Partido Nacional, como presidente eleito para o mandato de 2026 a 2030, após semanas de apuração tensa e denúncias de fraude. Com 40,27% dos votos, Asfura superou por margem mínima o rival Salvador Nasralla, que obteve cerca de 39,5%, em uma das eleições mais disputadas da história recente do país. (Reuters)
A vitória representa uma guinada à direita após o governo da presidenta Xiomara Castro, do partido esquerdista Libre, cuja candidata, Rixi Moncada, ficou em terceiro lugar. A eleição hondurenha passa a integrar um quadro mais amplo de avanço de forças conservadoras na região, em linha com resultados recentes em outros países latino-americanos, e desperta atenção de governos e organismos internacionais para o futuro da política na América Central.
A campanha de Asfura foi marcada por forte apoio do presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que gravou mensagens de respaldo e chegou a fazer ameaças de redução de ajuda ao país caso o aliado não fosse eleito, gesto criticado por opositores como interferência externa indevida. Após a proclamação do resultado, Washington e outros governos rapidamente reconheceram a vitória, sinalizando alinhamento com a nova administração.
No plano interno, Asfura construiu sua imagem como ex-prefeito de Tegucigalpa e empresário do setor de construção, defendendo uma plataforma centrada em segurança pública, geração de empregos, abertura a investimentos estrangeiros e reformas pró-mercado. Analistas apontam que o novo governo deve tentar reposicionar Honduras como parceiro confiável para capitais internacionais, ao mesmo tempo em que enfrenta pressões por combate à corrupção e redução dos índices de violência e pobreza.
A oposição promete contestar judicialmente o resultado, alegando irregularidades na contagem de votos e falhas sistêmicas no processo eleitoral. Organismos como a Organização dos Estados Americanos (OEA) já manifestaram preocupação com a transparência da eleição, mas, até o momento, o cenário indica que Asfura tomará posse na data prevista. Sua gestão será observada não apenas pelo impacto na sociedade hondurenha, mas pelo papel que o país poderá desempenhar em disputas geopolíticas, especialmente na relação com Estados Unidos, China e vizinhos centro-americanos.
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