Zelensky aposta em encontro com Trump e plano de paz de 20 pontos para encerrar guerra na Ucrânia

Zelensky aposta em encontro com Trump e plano de paz de 20 pontos para encerrar guerra na Ucrânia.

Donald Trump e Volodymyr Zelensky | Foto: Alexander Drago

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, confirmou que deve se reunir neste domingo (28) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Flórida, para discutir um plano de paz que pretende encerrar a guerra que já se arrasta há quase quatro anos contra a Rússia. O encontro, que deve ocorrer em Mar-a-Lago, é apresentado como etapa decisiva de uma proposta de 20 pontos elaborada em conjunto por Kiev e Washington.

Em declarações à imprensa, Zelensky afirmou que o plano está “90% pronto” e que o objetivo da reunião é tentar levar o documento a 100%, ou seja, a um nível que permita avançar para um acordo que envolva não apenas a Ucrânia e os Estados Unidos, mas também a Rússia e aliados europeus. O presidente, no entanto, foi cauteloso: disse não poder garantir que a reunião resultará em um acordo definitivo, embora acredite que “muita coisa pode ser decidida antes do Ano Novo”.

Os pontos do plano de paz não foram divulgados na íntegra, mas fontes diplomáticas indicam que o texto aborda, entre outros temas, garantias de segurança para a Ucrânia em moldes semelhantes ao Artigo 5 da OTAN, sem necessariamente implicar adesão formal do país à aliança militar; o futuro de áreas ocupadas pela Rússia na região de Donbas; e a gestão da usina nuclear de Zaporizhzhia. Também há discussões sobre reconstrução econômica e eventual criação de zonas desmilitarizadas em áreas de fronteira.

Zelensky já sinalizou disposição para concessões sensíveis, como aceitar uma forma de congelamento da linha de frente e discutir a retirada gradual de tropas de áreas hoje em disputa, desde que haja reciprocidade da Rússia. A proposta, porém, enfrenta resistência: analistas observam que o Kremlin continua a exigir que Kiev abandone formalmente o objetivo de entrar na OTAN e reconheça a anexação de territórios ocupados, condições vistas como inaceitáveis por grande parte da elite política ucraniana.

A reunião com Trump ocorre em um contexto de reposicionamento da política externa dos Estados Unidos, que vem buscando reduzir custos e riscos da guerra sem ser visto como responsável por concessões excessivas a Moscou. Ao levar a discussão para a Flórida e colocá-la sob forte holofote político, Zelensky tenta, ao mesmo tempo, assegurar a continuidade do apoio americano e testar os limites do que a sociedade ucraniana está disposta a aceitar em nome da paz.

Na prática, o encontro deste fim de semana não encerra a guerra, mas ajuda a desenhar o caminho das próximas negociações. Se o plano de 20 pontos avançar, a discussão passará a ser não apenas militar, mas também jurídica e política – envolvendo plebiscitos, garantias de segurança e mecanismos internacionais de monitoramento de um eventual cessar-fogo.

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