A atividade mineral está associada a um crescimento aproximado de 32% do Produto Interno Bruto e de 30% da arrecadação nos municípios goianos que recebem operações do setor. Os números fazem parte do estudo “Goiás em Dados – A Influência da Mineração no Estado”, apresentado pelo Instituto Mauro Borges de Economia e Estatística.
O levantamento comparou mais de 80 indicadores de cidades mineradoras com municípios de perfil semelhante que não possuem a mesma atividade. Além do aumento do PIB e das receitas públicas, os pesquisadores identificaram expansão dos empregos formais, crescimento populacional médio de 6%, redução da demanda por programas sociais e diminuição da desigualdade de renda.
Crescimento não alcança todos os serviços
Os benefícios econômicos não foram acompanhados, na mesma proporção, por melhorias em todas as áreas públicas. O estudo não encontrou avanço significativo no desempenho escolar nem aumento proporcional do número de médicos, enfermeiros e dentistas diante da expansão populacional.
Também foi observada ampliação da diferença salarial entre homens e mulheres. Outro ponto de atenção é a concentração da economia na extração mineral, sem efeito estatisticamente relevante sobre setores industriais não extrativos.
Planejar antes do esgotamento das jazidas
O principal desafio é preparar os municípios para o período posterior ao encerramento das operações. A mineração pode gerar receitas elevadas por décadas, mas as jazidas são finitas. Sem diversificação produtiva, qualificação profissional e planejamento fiscal, o fim da atividade pode deixar desemprego, queda de arrecadação e estruturas públicas difíceis de manter.
Catalão foi apresentado como exemplo de economia mais diversificada, com indústria, logística e rede de ensino. Alto Horizonte e Crixás aparecem entre as cidades em que a dependência do setor exige maior atenção. Em Minaçu e Mara Rosa, projetos de terras raras podem abrir um novo ciclo, mas não eliminam a necessidade de outras atividades econômicas.
Goiás ocupa a terceira posição nacional na produção mineral. A expansão dos projetos de minerais estratégicos aumenta a relevância do estado, mas também reforça o debate sobre contrapartidas locais, proteção ambiental e utilização das receitas para construir alternativas duradouras.
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