A primavera começou em 22 de setembro com expectativa de temperaturas elevadas e chuvas irregulares em Goiás. A influência do El Niño pode atrasar a consolidação do período chuvoso, aumentar a ocorrência de veranicos e exigir planejamento adicional dos produtores na abertura da nova safra.
O Instituto Nacional de Meteorologia informou que o El Niño já apresentava, em junho, um padrão de aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Os modelos indicam probabilidade superior a 90% de permanência do fenômeno até o início de 2027, com possibilidade de intensidade muito forte entre a primavera e o verão.
Para o Centro-Oeste, os efeitos não significam ausência completa de chuva. A preocupação está na distribuição irregular, com intervalos secos mais longos e precipitações concentradas em poucos episódios. O Cimehgo avalia que Goiás pode ter atraso na regularização das chuvas e tempestades acompanhadas de rajadas de vento, raios e eventual granizo.
Primeiras chuvas não garantem umidade no solo
No campo, o retorno pontual da chuva pode criar uma condição temporária favorável sem que o perfil do solo tenha recuperado umidade suficiente. O plantio feito logo após o primeiro episódio pode enfrentar interrupção das precipitações durante a germinação e o estabelecimento das plantas. Soja e milho estão entre as culturas mais sensíveis a veranicos no início do ciclo.
A recomendação é acompanhar a previsão de curto prazo, o volume acumulado e a umidade do solo antes de iniciar as operações. O produtor também deve observar o Zoneamento Agrícola de Risco Climático, que define períodos de plantio com menor probabilidade de perdas de acordo com o município, a cultura, o tipo de solo e o ciclo da cultivar.
Calor e tempestades também exigem prevenção
Temperaturas acima da média aumentam a evaporação e podem acelerar a perda de umidade. Já as tempestades concentradas elevam os riscos de erosão, alagamento, danos por vento e granizo. Cobertura do solo, manutenção de curvas de nível, revisão de estruturas e proteção de máquinas e animais ajudam a reduzir prejuízos.
O cenário exige atenção ao abastecimento de água, às pastagens e ao risco de incêndios. Decisões de plantio devem considerar boletins do Inmet, do Cimehgo e da assistência técnica local.
Em ano de El Niño, calendário e tradição não substituem monitoramento. O manejo prudente pode evitar replantio, preservar insumos e reduzir a exposição financeira.
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