Uma jovem de 21 anos morreu, na manhã deste sábado (13), durante uma atividade de rope jump realizada na Ponte do Esqueleto, na divisa entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo. Segundo as informações preliminares, Maria Eduarda Rodrigues de Freitas foi lançada da estrutura sem que estivesse conectada à corda de segurança.
A queda ocorreu de uma altura estimada em cerca de 40 metros. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado por volta das 9h55, mas a morte foi constatada ainda no local. Pessoas que acompanhavam a atividade chegaram a prestar os primeiros socorros antes da chegada das equipes de emergência.
Vídeos entregues à polícia mostram integrantes da equipe conduzindo a jovem até a extremidade da ponte e realizando o lançamento. Conforme testemunhas ouvidas pela Polícia Militar, a corda que deveria sustentar Maria Eduarda não havia sido conectada ao equipamento utilizado por ela. As imagens também registraram a reação das pessoas presentes ao perceberem a falha.
O caso foi registrado pela Polícia Civil como homicídio. Seis pessoas ligadas à organização da atividade foram conduzidas à delegacia para prestar esclarecimentos. Após as primeiras diligências, três permaneceram presas em flagrante, sob suspeita de homicídio com dolo eventual — quando não há intenção direta de matar, mas a conduta adotada representa a assunção do risco de produzir o resultado.
De acordo com o boletim de ocorrência citado pelo portal UOL, dois homens que se apresentaram como funcionários da empresa responsável chegaram a deixar o local e entrar em uma área de vegetação. Eles foram posteriormente encontrados durante as buscas policiais. A investigação também tenta localizar uma câmera que estava com a vítima no momento do salto.

Atividade não tinha autorização
A Secretaria do Patrimônio da União informou que a realização da atividade na Ponte do Esqueleto não estava autorizada. O órgão federal afirmou ainda que está à disposição para colaborar com as investigações conduzidas pelas autoridades paulistas.
A estrutura foi construída para a antiga Rede Ferroviária Federal e está desativada há mais de três décadas. Apesar disso, o local tornou-se conhecido pela prática de esportes radicais e pela visitação de grupos interessados em atividades como o rope jump.
A ponte já havia registrado outros acidentes. Em 2024, uma ciclista morreu depois de cair da estrutura. Em agosto de 2025, duas mulheres ficaram gravemente feridas durante outro episódio relacionado à prática de esporte radical. O acesso chegou a ser bloqueado após a morte registrada em 2024, mas as atividades foram posteriormente retomadas.
Prefeitura anuncia ação contra a União
Após a morte de Maria Eduarda, a Prefeitura de Limeira anunciou que pretende processar o Governo Federal. A administração municipal sustenta que a fiscalização, a manutenção e o controle de acesso à ponte são atribuições da União e afirma que vinha solicitando providências aos órgãos federais desde o início de 2025.
Segundo a prefeitura, ofícios já haviam sido encaminhados pedindo medidas de segurança para impedir o acesso irregular à estrutura. O município declarou que prestará apoio às investigações da Polícia Civil e manifestou solidariedade aos familiares e amigos da vítima.
Diferença entre rope jump e bungee jump
Embora algumas informações iniciais tenham classificado a atividade como bungee jump, o rope jump utiliza um sistema diferente. No bungee jump, o participante fica preso a uma corda elástica, que se estende durante a queda e provoca movimentos de subida e descida.
No rope jump, são usadas cordas estáticas ou com pouca elasticidade. Após uma etapa inicial de queda, o praticante passa a realizar um movimento semelhante ao de um pêndulo. Em qualquer modalidade, a correta instalação, conexão e conferência dos equipamentos é indispensável antes da liberação do participante.
A Polícia Civil deverá ouvir testemunhas, analisar os vídeos e os equipamentos encontrados e apurar as responsabilidades individuais dos organizadores. As empresas citadas nas imagens divulgadas não haviam se manifestado publicamente até a última atualização das reportagens consultadas.
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