Meta aprovou em teste 13 anúncios eleitorais falsos produzidos com IA

Peças foram financiadas por conta dos Estados Unidos e direcionadas ao público brasileiro; pesquisadores retiraram os anúncios antes que fossem exibidos.

Imagem ilustrativa sobre ameaça digital às eleições | Ponto de Vista News

Um teste realizado pela organização britânica Eko identificou falhas nos sistemas utilizados pela Meta para analisar publicidade política destinada aos eleitores brasileiros.

A entidade submeteu 15 anúncios com informações eleitorais falsas, imagens produzidas por inteligência artificial e financiamento proveniente de uma conta sediada nos Estados Unidos. Segundo o levantamento, 13 peças — o equivalente a 87% do total — foram aprovadas pela moderação automática do Facebook e do Instagram.

Os pesquisadores removeram os anúncios imediatamente após a análise. Nenhuma das peças chegou a ser publicada ou visualizada pelos usuários das plataformas.

Conteúdos violavam regras eleitorais

Entre os materiais submetidos havia informações falsas sobre a data das eleições, suposto fechamento de seções eleitorais, adiamento da votação e ataques sem comprovação ao sistema eletrônico.

O teste também incluiu imagens sintéticas de figuras públicas e mensagens que poderiam estimular atos antidemocráticos. As peças não informavam que haviam sido produzidas com inteligência artificial.

De acordo com a organização, os anúncios também não foram classificados pela plataforma como conteúdo relacionado a temas sociais, eleições ou política.

As regras da Justiça Eleitoral exigem a identificação de conteúdo sintético produzido ou alterado por IA. Também estabelecem condições específicas para a contratação de propaganda eleitoral na internet e para a prestação de contas dos valores gastos.

A contratação proveniente do exterior é vedada. A propaganda paga deve ser realizada diretamente por candidatos, partidos, federações ou coligações nas hipóteses admitidas pela legislação.

Meta contesta alcance do estudo

Procurada pela imprensa, a Meta afirmou que mantém compromisso com a proteção do processo eleitoral e que utiliza diferentes camadas de revisão antes e depois da publicação de anúncios.

A empresa ressaltou que nenhuma das peças testadas foi exibida aos usuários e declarou que o experimento não representa a dimensão dos investimentos realizados na integridade das plataformas.

O fato de os anúncios não terem circulado limita o alcance concreto do episódio. O estudo não demonstra que eleitores brasileiros tenham recebido aquelas mensagens específicas, mas aponta que conteúdos incompatíveis com as regras conseguiram ultrapassar a primeira etapa de aprovação.

Risco de desinformação na campanha

A inteligência artificial permite produzir, em poucos minutos, imagens, vídeos e áudios capazes de simular declarações ou acontecimentos inexistentes. Durante o período eleitoral, esse material pode afetar a compreensão dos eleitores e dificultar a identificação da origem das mensagens.

O Tribunal Superior Eleitoral mantém regras para a rotulagem de conteúdos sintéticos e canais destinados à comunicação de desinformação que possa atingir a integridade do pleito.

O caso reforça a necessidade de fiscalização contínua das plataformas, transparência sobre os critérios de moderação e rápida retirada de peças enganosas.

Também evidencia a importância de distinguir uma vulnerabilidade identificada em teste controlado de uma campanha efetivamente veiculada. Até o momento, não há informação de que os 15 anúncios analisados tenham alcançado qualquer eleitor.

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