Na ONU, Lula critica bets e big techs e defende regras para inteligência artificial

Presidente também tratou de soberania, conflitos internacionais, combate ao crime organizado, desigualdade e reforma do Conselho de Segurança

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, na ONU | Foto: Reuters/Kylie Cooper/Agência Brasil/Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva levou à Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, uma agenda que reuniu política internacional, tecnologia, soberania econômica e temas sociais brasileiros. No discurso de 22 de setembro, ele defendeu mudanças na governança global e criticou modelos de negócio baseados em apostas on-line e no uso de tecnologias sem transparência ou responsabilidade.

Ao abordar inteligência artificial e plataformas digitais, Lula afirmou que a revolução tecnológica oferece oportunidades, mas também produz riscos que não podem ficar sem controle público. O presidente defendeu regras para as big techs e para sistemas de IA, com atenção à proteção de crianças, adolescentes, mulheres e criadores de conteúdo.

Bets e impactos sobre as famílias

As apostas on-line receberam uma das críticas mais diretas do pronunciamento. Lula relacionou a expansão do setor ao endividamento e à desestruturação de famílias e indicou que o governo pretende adotar uma postura mais rigorosa diante das empresas. O discurso não detalhou, naquele momento, quais novas medidas seriam adotadas nem seus prazos.

O presidente também mencionou o Pix como infraestrutura pública de inclusão financeira e afirmou que o Brasil resistirá a pressões externas sobre o sistema. No campo econômico, defendeu distribuição de renda, valorização do trabalho, ampliação do descanso semanal e redução de desigualdades.

Críticas ao Conselho de Segurança

Na política externa, Lula voltou a defender a reforma do Conselho de Segurança da ONU. Para ele, o direito de veto e a falta de coordenação das grandes potências reduziram a capacidade da organização de prevenir guerras e proteger populações vulneráveis.

O presidente condenou os ataques terroristas do Hamas e, ao mesmo tempo, responsabilizou o governo de Benjamin Netanyahu pela morte de civis em Gaza. Também defendeu a solução de dois Estados e afirmou que a diplomacia continua sendo a única saída possível para conflitos como a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Soberania e crime organizado

Lula rejeitou interferências externas nos processos políticos da América Latina e afirmou que o Brasil busca relações internacionais baseadas em cooperação, e não em subordinação. Ao falar de segurança, destacou a necessidade de combater lavagem de dinheiro, tráfico de armas e fluxos financeiros que sustentam organizações criminosas.

O pronunciamento combinou mensagens destinadas ao público internacional com temas centrais da campanha eleitoral brasileira. O desafio, a partir de agora, será transformar as posições apresentadas em propostas concretas de regulação, cooperação e política pública.

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