O ex-presidente Jair Bolsonaro reforçou, neste sábado (11), o apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Em carta divulgada e lida pelo filho durante uma transmissão nas redes sociais, Bolsonaro classificou Flávio como seu “porta-voz” e pediu que aliados deixem as divergências de lado para trabalhar pela campanha eleitoral.
Na mensagem, Bolsonaro afirmou que o país atravessa um momento decisivo e convocou seus apoiadores a se empenharem pela candidatura do filho. O ex-presidente apresentou Flávio como a pessoa em quem confia para representar o grupo político e conduzir o movimento durante o processo eleitoral.
Depois da leitura, Flávio afirmou que recebeu do pai a responsabilidade de centralizar a comunicação política do grupo. Segundo o senador, a definição busca evitar manifestações contraditórias e diferentes orientações entre aliados durante a pré-campanha.
Carta surge após crise com Michelle Bolsonaro
A manifestação ocorre em meio ao desgaste provocado pelo desentendimento público entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Em junho, Michelle divulgou vídeos nos quais afirmou ter sido desrespeitada e maltratada pelo enteado durante uma discussão sobre as decisões políticas do PL.
O estopim da divergência foi a composição eleitoral do partido no Ceará. Michelle defendia a pré-candidatura da vereadora Priscila Costa ao Senado, enquanto Flávio apoiou a escolha do deputado estadual Alcides Fernandes para a vaga. Segundo relatos divulgados pela ex-primeira-dama, o senador teria pedido que ela não interferisse nas decisões partidárias.
Após a repercussão, Flávio pediu desculpas publicamente e afirmou que não teve a intenção de ofender Michelle. Apesar da tentativa de encerrar o episódio, o conflito expôs uma disputa por espaço político dentro do PL e levantou dúvidas sobre a participação da ex-primeira-dama na campanha presidencial.
Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada no início de julho mostrou que, entre os entrevistados que assistiram aos vídeos, 64,1% consideraram que o episódio enfraqueceu a pré-candidatura de Flávio. Para 55,4%, o apoio de Michelle é importante para que o senador tenha condições de vencer a eleição.
Tentativa de centralizar o bolsonarismo
Ao chamar Flávio de porta-voz, Jair Bolsonaro procura estabelecer uma linha única para as manifestações do grupo político e reforçar que o senador é o nome escolhido para representar seu eleitorado na disputa pelo Palácio do Planalto.
A carta também funciona como um apelo para que lideranças do PL e aliados conservadores superem divergências regionais e pessoais. A preocupação é evitar que novos conflitos internos prejudiquem a pré-campanha justamente durante a fase de construção de alianças e preparação para as convenções partidárias.
Flávio já havia sido apresentado pelo pai como seu sucessor político no final de 2025. A nova manifestação, entretanto, amplia a atribuição do senador: além de pré-candidato, ele passa a ser formalmente apontado como o responsável por transmitir as posições políticas do ex-presidente e coordenar o discurso do grupo durante a campanha.
Leia a íntegra da carta:
“Carta aos brasileiros
Saudoso do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo num momento de decisão para o futuro de todos nós.
O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e empobrecimento.
Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade.
Um afetuoso abraço a todos na certeza de que, juntos, tudo faremos pela nossa pátria.
Deus, Pátria, Família e Liberdade
Jair Bolsonaro.”
Veja a Carta:

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