Equatorial tenta transformar convocação em convite e alega habeas corpus às vésperas de depoimento na CEI dos Fios Soltos

Presidente da comissão, vereador Coronel Urzêda, manteve reunião marcada para esta quarta-feira (1º), às 14h; relator Geverson Abel afirma que não foi notificado pelo Judiciário.

Lener Jayme, presidente da Equatorial Goiás | Foto: Reprodução/Vídeo/TV Câmara Gyn

A nova oitiva do presidente da Equatorial Goiás, Lener Jayme, na CEI dos Fios Soltos da Câmara Municipal de Goiânia, marcada para esta quarta-feira (1º), às 14h, ganhou um novo capítulo na noite desta terça-feira (30). Segundo informações obtidas pelo Ponto de Vista News, a equipe do dirigente da concessionária fez contato com o presidente da comissão, vereador Coronel Urzêda (PL), solicitando que a convocação fosse transformada em convite.

A mudança, se aceita, alteraria a natureza do chamamento feito pela CEI. Enquanto a convocação impõe o dever de comparecimento para prestar esclarecimentos ao colegiado, o convite abre margem para que o depoente não compareça à reunião.

O pedido foi negado pelo presidente da comissão. Em seguida, ainda conforme relato encaminhado ao Ponto de Vista News, um assessor da Equatorial informou que a empresa teria impetrado habeas corpus e que a medida teria sido provida. Coronel Urzêda afirmou, no entanto, que até o momento não havia recebido qualquer notificação oficial do Poder Judiciário e manteve a reunião para às 14h.

O ofício nº 31/2026/CFSG, assinado pelo vereador Coronel Urzêda em 29 de junho, convoca os membros da CEI para a 17ª Reunião Ordinária, a ser realizada na Sala de Reuniões das Comissões da Câmara Municipal de Goiânia. No documento, consta expressamente a designação da oitiva de Lener Jayme, presidente da Equatorial Goiás, para prestação de esclarecimentos junto à comissão.

A nova convocação de Lener Jayme foi aprovada após os vereadores identificarem divergências entre o primeiro depoimento prestado pelo presidente da Equatorial, em 31 de março, e informações apresentadas posteriormente por familiares de Nathaly Rodrigues do Nascimento, representantes de empresas de telecomunicações e órgãos públicos.

Um dos principais pontos questionados pela CEI envolve a assistência à família de Nathaly. Durante a primeira oitiva, integrantes da comissão afirmaram ter recebido a informação de que a Equatorial teria prestado suporte à família da adolescente. Entretanto, Daiane do Nascimento, mãe de Nathaly, ao ser ouvida pela comissão, negou ter recebido qualquer tipo de apoio da empresa.

Outro ponto de divergência está relacionado à responsabilidade pela retirada de fios soltos, irregulares ou abandonados dos postes de Goiânia. Representantes de empresas de telecomunicações ouvidos pela CEI afirmaram que a responsabilidade pela fiscalização e organização da estrutura seria da Equatorial, por ser a concessionária responsável pela exploração econômica dos postes. A informação também foi reforçada por Paulo Aurélio Pereira da Silva, gerente regional da Anatel, que declarou à comissão que a fiscalização do uso dos postes pelas empresas de telecomunicações é atribuição da distribuidora de energia.

No primeiro depoimento, Lener Jayme afirmou que a Equatorial possui autonomia para retirar cabeamentos irregulares, mas justificou que a empresa evita remoções indiscriminadas porque muitos fios, inclusive de empresas regulares, não estariam devidamente identificados. Segundo ele, a retirada poderia causar interrupção de serviços de internet, telefonia e comunicação.

Procurado pelo Ponto de Vista News, o vereador Geverson Abel (Republicanos), relator da CEI, também afirmou não ter recebido nenhuma notificação judicial que impeça a realização da reunião. Para ele, a tentativa de alterar a convocação para convite e a alegação de existência de habeas corpus às vésperas da oitiva indicam uma tentativa de esvaziar os trabalhos da comissão.

“A atitude da Equatorial em tentar mudar a forma da convocação e dizer que havia impetrado habeas corpus é uma clara tentativa de macular a verdade e se esquivar da sua responsabilidade”, afirmou Geverson Abel.

A CEI dos Fios Soltos investiga as responsabilidades por cabos soltos, abandonados ou irregulares em Goiânia, especialmente após a morte de Nathaly Rodrigues do Nascimento, adolescente vítima de descarga elétrica no Centro da capital. A comissão apura a atuação da concessionária de energia, das empresas de telecomunicações e dos órgãos públicos responsáveis pela fiscalização e regulação da ocupação dos postes.

Até o fechamento desta matéria, a reunião permanecia mantida para esta quarta-feira (1º), às 14h, na Câmara Municipal de Goiânia.

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