A prisão do empresário goiano Adair Antônio de Freitas Meira, fundador da Fundação Pró-Cerrado e do Sistema Sagres de Comunicação, colocou sob atenção a relação contratual da entidade com o Governo de Goiás. Meira foi preso em Goiânia durante operação da Polícia Civil de São Paulo que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital, o PCC. Segundo as investigações divulgadas pela imprensa, ele é suspeito de ocultar cerca de R$ 34 milhões em movimentações financeiras envolvendo empresas, entidades e uma fintech apontada como ligada a operador da facção.
De acordo com reportagem do UOL, a Fundação Pró-Cerrado, presidida por Adair Meira, mantém quatro contratos vigentes com o Governo de Goiás, somando R$ 141.509.831,63. Os acordos foram assinados entre 2021 e 2025 e envolvem a prestação de serviços terceirizados para a administração estadual, especialmente junto à Secretaria de Estado da Economia.
Entre os serviços contratados estão funções como auxiliares administrativos, motoristas e profissionais de atendimento de call center. O levantamento também aponta que, nos últimos 25 anos, foram identificados 12 contratos entre a Fundação Pró-Cerrado e o governo estadual, com registros envolvendo as secretarias de Economia e Desenvolvimento Social.
Documentos oficiais da Secretaria da Economia confirmam parte desses vínculos. O Contrato nº 016/2021, por exemplo, trata da prestação de serviços terceirizados de auxiliar administrativo para unidades da pasta. O sétimo termo aditivo prorrogou a vigência de 31 de agosto de 2025 a 31 de agosto de 2026, com valor de R$ 22.262.991,24.
Outro contrato, o nº 028/2021, refere-se à prestação de serviços terceirizados de motorista. O quinto termo aditivo prorrogou a vigência de 30 de outubro de 2025 a 29 de outubro de 2026, com valor total de R$ 4.137.908,16.
Também consta nos registros oficiais o Contrato nº 039/2025, firmado para prestação de serviços terceirizados de apoio técnico especializado de nível superior, com dedicação exclusiva de mão de obra. O valor total do contrato é de R$ 28.094.459,04.
A investigação da Polícia Civil de São Paulo aponta que Adair Meira teria mantido interlocução com João Gabriel de Mello Yamawaki, apontado como operador do 4TBank. Segundo as informações divulgadas, mensagens extraídas de celulares apreendidos indicariam negociações para misturar recursos lícitos e ilícitos, hipótese que ainda está sob apuração.
A defesa de Adair Meira nega irregularidades e afirma que ele não possui vínculo com organizações criminosas. A Fundação Pró-Cerrado declarou que não é alvo de investigação e informou que, por medida de precaução e governança, o empresário foi temporariamente afastado de suas funções.
O Governo de Goiás, por sua vez, informou que a prisão de Adair Meira não envolve a gestão estadual nem os contratos firmados com a Fundação Pró-Cerrado. Ainda assim, o Estado afirmou que a Controladoria irá analisar os acordos por “zelo com o interesse público”.
Até o momento, não há conclusão oficial de que os contratos mantidos com o Governo de Goiás tenham sido utilizados para prática de crime. A apuração, no entanto, amplia o debate sobre fiscalização de contratos públicos, transparência na execução de serviços terceirizados e mecanismos de controle sobre entidades que mantêm relações milionárias com o poder público.
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