Embora esteja entre os tumores mais frequentes do trato urinário, o câncer de bexiga ainda recebe menos atenção pública do que outros tipos de câncer. Durante o Julho Roxo, campanha dedicada à conscientização sobre a doença, especialistas reforçam a importância de reconhecer os sinais de alerta e procurar avaliação médica logo nos primeiros sintomas.
Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 13.110 novos casos de câncer de bexiga em 2026, sendo 9.040 em homens e 4.070 em mulheres. Em Goiás, a estimativa é de 350 novos casos no ano. Em Goiânia, são esperados cerca de 100 diagnósticos da doença em 2026.
Um dos principais desafios é que muitas pessoas desconhecem os fatores de risco e acabam ignorando sintomas que podem indicar a presença do tumor. O sinal mais comum é a presença de sangue na urina, mesmo quando não há dor. Alterações na frequência urinária, ardência ao urinar, urgência para urinar e desconforto persistente também merecem investigação médica.
A American Cancer Society alerta que o sangue na urina pode estar relacionado a causas benignas, como infecções, mas também pode ser o primeiro sinal de câncer de bexiga. A entidade reforça que, quando o tumor é identificado precocemente, as chances de sucesso do tratamento aumentam.
O médico urologista Bernardo Barreira destaca que o diagnóstico precoce é fundamental para ampliar as chances de cura e reduzir o impacto da doença na qualidade de vida dos pacientes. Segundo ele, sintomas urinários persistentes não devem ser tratados com banalidade, especialmente quando há presença de sangue na urina ou histórico de tabagismo.

O tabagismo é considerado um dos principais fatores de risco para o câncer de bexiga. De acordo com a American Cancer Society, pessoas que fumam têm pelo menos três vezes mais chance de desenvolver a doença em comparação com quem não fuma, e o cigarro está associado a cerca de metade dos casos de câncer de bexiga.
A relação entre o cigarro e a doença ocorre porque substâncias tóxicas presentes no tabaco entram na corrente sanguínea, são filtradas pelos rins e eliminadas pela urina. Ao permanecerem em contato com a parede interna da bexiga, essas substâncias podem favorecer alterações celulares associadas ao surgimento do tumor.
Além do tabagismo, outros fatores estão relacionados ao risco aumentado da doença, como envelhecimento, sexo masculino, histórico familiar, irritações crônicas da bexiga e exposição ocupacional a substâncias químicas. Trabalhadores de setores como indústria de borracha, couro, tintas, tecidos, impressão e atividades com exposição a compostos químicos específicos podem ter risco maior.
O diagnóstico pode envolver exames de urina, exames de imagem e cistoscopia, procedimento que permite visualizar o interior da bexiga. Nos últimos anos, tecnologias voltadas à melhor visualização de lesões e tumores pequenos têm ampliado a precisão diagnóstica e contribuído para tratamentos mais individualizados.
O tratamento varia conforme o estágio da doença. Em casos iniciais, pode envolver retirada do tumor por via endoscópica e aplicação de medicamentos dentro da bexiga. Em situações mais avançadas, podem ser indicadas cirurgia, quimioterapia, imunoterapia, terapias-alvo ou combinações de tratamentos, a depender da avaliação médica.
Dr. Bernardo Barreira já participou do Programa Ponto de Vista, no episódio #094, em entrevista sobre cirurgia robótica e câncer urológico. Agora, durante o Julho Roxo, o alerta se volta ao câncer de bexiga, doença que pode ter evolução silenciosa, mas que dá sinais importantes e não deve ser negligenciada.
A orientação dos especialistas é clara: sangue na urina nunca deve ser ignorado. Mesmo que o sintoma apareça apenas uma vez ou desapareça espontaneamente, é necessário procurar atendimento médico para investigação adequada.
Com o envelhecimento da população e a necessidade de fortalecer a cultura da prevenção, o Julho Roxo surge como oportunidade para ampliar o debate sobre saúde urológica, fatores de risco, diagnóstico precoce e hábitos que podem reduzir a chance de desenvolvimento da doença.
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