Agro espera avanço em reunião entre Lula e Trump sobre carne, etanol e tarifas

Encontro entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos ocorre em meio à pressão de exportadores por previsibilidade comercial e redução de riscos tarifários.

Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Ricardo Stuckert

O agronegócio brasileiro acompanha com atenção a reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcada para esta quinta-feira (7). Entre os temas que interessam diretamente ao setor estão carne bovina, etanol e a possibilidade de novas tarifas contra produtos brasileiros.

A indústria de carne bovina quer que o governo brasileiro leve à mesa a discussão sobre a cota de exportação para os Estados Unidos. Atualmente, o Brasil utiliza uma cota compartilhada com outros países, que permite exportar cerca de 50 mil toneladas com tarifa reduzida. Fora desse limite, incide tarifa de 26,4%, segundo dados citados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne.

O tema ganhou força porque os Estados Unidos têm ampliado as compras de carne brasileira em razão da oferta restrita de gado no mercado americano. De janeiro a março deste ano, as importações de carne bovina brasileira pelos EUA cresceram 13,4% em relação ao mesmo período de 2025, somando 107 mil toneladas.

Outro ponto sensível é o etanol. O biocombustível brasileiro entrou no radar de Washington em razão da diferença tarifária entre os dois países. No ano passado, Trump criticou o fato de o Brasil aplicar tarifa de 18% sobre o etanol norte-americano, enquanto os Estados Unidos cobram 2,5% sobre o produto brasileiro.

A chamada Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos também deve estar na pauta. A investigação aberta pelo governo americano apura supostas práticas consideradas desleais no comércio bilateral, envolvendo temas como propriedade intelectual, sistema bancário, Pix e produtos agrícolas, entre eles carne e etanol. Caso os EUA concluam que o Brasil adota barreiras abusivas, novas tarifas podem ser impostas.

Para o agro brasileiro, a expectativa é que a reunião produza sinalizações de previsibilidade comercial. O setor avalia que eventual acordo bilateral pode reduzir incertezas, preservar mercados e evitar que exportadores brasileiros sejam atingidos por novas medidas tarifárias.

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