Pacote do diesel recoloca custo logístico no centro do debate do agro

Subsídios, desoneração e defesa do biodiesel entram no radar do campo em um momento de pressão sobre frete, produção e abastecimento.

Bomba de diesel | Foto: Reprodução

O custo do diesel voltou ao centro da agenda do agronegócio após o governo federal anunciar um pacote para conter a alta dos combustíveis. Entre as medidas estão uma subvenção de R$ 1,20 por litro para a importação de diesel, com divisão de custos entre União e estados, validade inicial de dois meses e impacto estimado em até R$ 4 bilhões, além de uma subvenção extra de R$ 0,80 por litro para o diesel produzido no Brasil. O pacote também prevê a zeragem dos impostos federais sobre o biodiesel, componente da mistura vendida nos postos.

Do ponto de vista do campo, a discussão vai além do preço na bomba. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) defendeu que o biodiesel reduz a exposição do país à geopolítica internacional e ainda gera efeitos sociais e econômicos ao envolver pequenos agricultores e a cadeia de biocombustíveis. Já no noticiário setorial, o tema aparece acompanhado de pressões por aumento da mistura de biodiesel no diesel e de relatos de dificuldades de abastecimento em regiões produtoras, sinalizando que o problema é visto pelo agro tanto como questão tributária quanto como gargalo logístico e estratégico.

Em outras palavras, o diesel deixou de ser apenas um insumo caro e voltou a ser tratado como variável de competitividade. Em plena dinâmica de safra, transporte e escoamento, qualquer medida que mexa no custo do combustível repercute diretamente sobre margens, frete, planejamento e previsibilidade. Por isso, a tendência é que a pauta siga forte nos próximos dias, especialmente se o setor continuar cobrando soluções permanentes em vez de respostas emergenciais.

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