Na tribuna da Câmara de Goiânia, advogada Aricka Cunha diz que prisão em Cocalzinho virou “missão maior” contra abuso de autoridade

Advogada voltou a se pronunciar publicamente sobre o caso, falou em violação de prerrogativas, violência de gênero e disse que seguirá em defesa dos direitos da advocacia e do cidadão comum.

Aricka Cunha na Câmara Municipal de Goiânia | Foto: Reprodução/Vídeo/TV Câmara Gyn

A advogada Aricka Cunha usou a tribuna da Câmara Municipal de Goiânia, nesta quinta-feira, 23 de abril, para voltar a falar publicamente sobre a prisão sofrida em Cocalzinho de Goiás e denunciar o que classificou como grave violação de prerrogativas profissionais. A visita ao Legislativo goianiense aconteceu a convite do vereador Tião Peixoto (PSDB).

Durante o pronunciamento, Aricka relatou o episódio, afirmou que vem sofrendo perseguição e declarou ter sido vítima de violência contra as prerrogativas da advocacia, violência de gênero, violência política de gênero e violência contra a sua cidadania.

Em sua fala, a advogada também afirmou que, no aspecto institucional, se sente amparada pela atuação da Ordem dos Advogados do Brasil. Segundo ela, a OAB está à frente do caso, adotando as providências cabíveis, e há confiança de que o delegado envolvido será responsabilizado na forma da lei.

Aricka destacou, porém, que sua maior preocupação vai além do próprio caso. Ao se referir ao cidadão comum, ela afirmou que nem todos contam com garantias institucionais ou com apoio semelhante ao oferecido pela OAB, o que, segundo sua manifestação, torna o episódio ainda mais preocupante sob a ótica dos direitos fundamentais e do acesso à Justiça.

Ao final, a advogada reafirmou que continuará atuando em defesa dos seus direitos e também dos direitos dos cidadãos. “Eu não vou me calar, eu não vou recuar e eu não vou permitir que o que aconteceu comigo se repita. Porque isso agora vai ser transformado em uma missão maior, eu vou lutar bravamente contra o abuso de autoridade e pela proteção das prerrogativas da advocacia.”

O caso envolvendo Aricka ganhou repercussão estadual e nacional após a prisão da advogada dentro do próprio escritório, em 15 de abril, por determinação do delegado Christian Zilmon Mata dos Santos. A OAB-GO instaurou procedimento para apurar possível violação de prerrogativas, apontou indícios de abuso de autoridade e passou a atuar institucionalmente para contestar a legalidade da condução do caso.

Nos desdobramentos mais recentes, a OAB-GO obteve liminar para impedir que o delegado atuasse em causa própria em procedimentos envolvendo a advogada. Já nesta quinta-feira, 23 de abril, foi noticiada a remoção de Christian Zilmon da Subdelegacia de Cocalzinho para a 17ª Delegacia Regional de Polícia, em Águas Lindas de Goiás, além da edição de norma interna da Polícia Civil de Goiás para disciplinar hipóteses de suspeição quando a própria autoridade policial figurar como vítima.

A fala de Aricka na Câmara amplia a dimensão pública do caso e reforça um debate que já mobiliza a advocacia goiana: os limites da atuação estatal, a proteção às prerrogativas profissionais e a necessidade de garantias efetivas não apenas para advogados, mas para qualquer cidadão diante do poder público.

Veja o vídeo da fala da advogada na tribuna da Câmara Municipal de Goiânia:

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